Gravidez após os 35 anos de idade
10/01/2017
Chances e procedimentos

Por Rodrigo da Rosa Filho

Com a idade e consequente queda da reserva ovariana, a qualidade dos óvulos gerados pela mulher também se altera. Além de aumentar o risco de infertilidade, caso ela venha a engravidar, sua gestação poderá ser de maior risco ou ter maiores chances de o embrião se desenvolver com alterações genéticas.

Com exclusão das mulheres que apresentam Falência Ovariana Precoce (FOP) ou menopausa precoce, que ocorre com quem já nasceu com a reserva ovariana mais baixa ou causas adquiridas ao longo da vida, as chances de engravidar na faixa etária próxima aos 35 anos podem ser divididas assim: 31 a 35 anos: 15% de chances de gravidez por ciclo menstrual, com 85% dos casais conseguindo a gravidez em até um ano de tentativas; 36 a 40 anos: 9% de chances de gravidez por ciclo menstrual, com 50% dos casais conseguindo a gravidez em até um ano de tentativas; 41 a 43 anos: 1% de chances de gravidez por ciclo menstrual, com 8% dos casais conseguindo engravidar em até um ano de tentativas.

Mas, somente um especialista em reprodução humana pode confirmar as verdadeiras chances de gravidez de cada mulher, na faixa etária em que ela se encontra, pois tem como avaliar todos os exames e verificar a sua fertilidade, como a contagem de folículos antrais e o nível de hormônio anti-Mülleriano (HAM). Assim, verificando que as chances de uma gestação natural estão reduzidas pela baixa reserva ovariana, poderá orientá-la a um tratamento de reprodução assistida.

Para as mulheres acima dos 35 anos com dificuldade de engravidar, o tratamento indicado é fertilização in vitro, que pode potencializar a chance de gravidez para até 50% em uma única tentativa.

Já, para as mulheres com baixa reserva ovariana e geralmente acima dos 40 anos, há a MINI-Fertilização in Vitro (MINI-FIV), que objetiva estimular a produção de poucos óvulos, focando mais na qualidade do que na quantidade. É uma técnica muito aceita, pois não apresenta os efeitos da hiperestimulação ovariana, além de ser mais acessível, a FIV em ciclo natural, que não inclui a estimulação ovariana de nenhum óvulo adicional, utilizando apenas o óvulo resultante do ciclo de ovulação natural da mulher. Em alguns casos, é administrado apenas um hormônio ao final do ciclo para amadurecer o óvulo produzido.

Para as mulheres que não apresentam mais óvulos de qualidade para gerar um embrião saudável, há também a pv ossibilidade da doação de óvulos, que tem se tornado cada vez mais comum e consiste numa doação anônima de óvulos. O óvulo doado é fecundado em laboratório pelo espermatozoide do parceiro da mulher receptora, ou por um de outro doador, e, após gerar embriões, eles são transferidos para o útero, com todo o sigilo e anonimato, pois não haverá divulgação sobre quem os doou e quem os recebeu. 

Dr.Rodrigo da Rosa Filho • CRM 119789 
Graduado em Medicina pela UNIFESP/EPM; Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e Associação Médica Brasileira; Médico colaborador do Setor Integrado de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo; Professor e redator de Ginecologia e Obstetrícia do Medcel Concursos para Residência Médica;  Membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo; Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida; integrante da Mater Prime Clínica de Reprodução Humana.

PREGNANCY AFTER 35 YEARS: CHANCES AND PROCEDURES

Considering the age and consequent fall of the ovarian reserve, the quality of the ovules generated by the woman also changes. In addition to increasing the risk of infertility, in case of pregnant, it also may be at greater risk or may have a greater chance of the embryo developing with genetic alterations.

Excluding women with Early Ovarian Failure (FOP) or early menopause, which occurs in those who were already born with the lowest ovarian reserve or even acquired causes throughout life, the chances of getting pregnant in the age group close to 35 years can be divided as following:  31 to 35 years: 15% chance of pregnancy per menstrual cycle, with 85% of couples achieving pregnancy in up to one year of attempts; 36-40 years: 9% chance of pregnancy per menstrual cycle, with 50% of couples achieving pregnancy in up to one year of attempts; 41 to 43 years: 1% chance of pregnancy per menstrual cycle, with 8% of the couples being able to get pregnant within a year of attempts.

However, only a human reproduction specialist can confirm the true chances of pregnancy of each woman, considering the age group that she is, since she has to evaluate all the exams and check her fertility, such as antral follicles count and level of anti-Müllerian hormone (HAM). Thus, verifying that the chances of a natural gestation are reduced by the low ovarian reserve, it can guide her to a treatment of assisted reproduction.

For women over 35 years, the indicated treatment is in vitro fertilization, which can potentiate the chance of pregnancy by as much as 50% in a single attempt.

Although, for women with low ovarian reserve and generally above the age of 40, there is the MINI-Fertilization in Vitro (MINI-IVF), which aims to stimulate the production of fewer ova, focusing more on quality than quantity. It is a very accepted technique as it does not present the effects of ovarian hyperstimulation, besides it is  more accessible, IVF in natural cycle, which does not include the ovarian stimulation of any additional ovum, using only the ovum resulting from the natural ovulation cycle of the woman . In some cases, only one hormone has been given at the end of the cycle to mature the ovum produced.

For women who no longer have quality eggs to produce a healthy embryo, there is also the possibility of egg donation, which has become increasingly common and consists of an anonymous donation of eggs. The donated egg is fertilized in the laboratory by the spermatozoid of the partner of the receiving woman, or also of a donor and, after generating embryos, they are transferred to the uterus, with all secrecy and anonymity, since there will be no disclosure about who donated them and who received them. 

Rodrigo da Rosa Filho